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ago 10, 2017

EFÊMMERA ENTREVISTA: SHIRO

A EXPRESSÃO DO GRAFFITI ENTRE O JAPÃO E OS ESTADOS UNIDOS


Shiro é uma artista urbana que nasceu no Japão e começou a pintar no final dos anos 1990 em Shizuoka. Seu interesse pela arte sempre esteve presente em sua vida, tendo desenhado desde criança, criando um mundo íntimo e único por meio de suas personagens.

Sob a influência do movimento hip hop e do filme “Wild Style”, Shiro viajou para Nova Iorque, onde se estabeleceu no Brooklyn e desenvolveu seu talento enquanto grafiteira, de 2002 a 2004. Tendo vindo ao Brasil em duas ocasiões, aprecia a criatividade dos artistas brasileiros e espera poder voltar em breve.

Em entrevista exclusiva, cedida à equipe do Efêmmera, Shiro contou um pouco de sua experiência como grafiteira, que viveu no Ocidente e no Oriente.

 

Equipe Efêmmera: Você é do Japão e as pessoas geralmente dizem que lá é um dos lugares mais difíceis de se fazer letras na rua. O que você pode nos contar a respeito da cena de graffiti japonesa?

Shiro: Quando eu comecei a pintar com spray, em 1998, não era tão difícil. Eu costumava pintar de dia e ninguém me abordava. Hoje em dia a situação é mais rígida.

EE: Como foi, para você, ser uma garota no movimento, especialmente no final dos anos 1990?

Shiro: Eu estive, durante a maior parte da minha trajetória do graffiti, fazendo arte sozinha, então eu não tive muita experiência enquanto uma garota na minha história. Mas eu sou sozinha/independente, porque talvez, eu seja uma garota… Eu costumava ter algumas amigas que faziam letras, mas muitas delas já não pintam mais.

EE: Enquanto uma importante artista dentro da cultura japonesa do hip hop, você organizou eventos e ajudou a disseminar esta cultura. Você poderia nos contar mais detalhes de como se deu essa dinâmica?

Shiro: Muitos dos meus amigos são dançarinos, DJ’s, cantores e rappers no Japão. Então, eu me juntei a eles para realizar esses eventos/projetos. Eu faço muitas coisas para que essas ocasiões aconteçam: desenvolvo o logo e produtos, faço o flyer, faço live painting, preparo murais e banners etc. Eu gosto de fazer minha arte em palcos de eventos. É como se eu estivesse no filme “Wild Style”: quando eu vejo as pessoas performando num palco cheio das minhas artes nesses locais. Gosto de fazer pinturas mesmo para eventos que não têm nenhuma relação com o hip hop, pois eu acredito que eu trago um pouco da essência do hip hop e das ruas na minha arte e as pessoas parecem apreciar isso.

EE: Conte-nos um pouco a respeito do desenvolvimento da sua clássica personagem “Mimi” e, também, sobre os fatores que mais cooperaram quando você começou a constituir seu estilo próprio

Shiro: Eu desenho minha personagem desde que eu era criança. Eu costumava mudar de casa – e, consequentemente, de escola – muitas vezes com a minha família na minha infância. Além disso, eu nasci com um ouvido completamente surdo… então era difícil fazer amigos às vezes. Acredito que, por isso, eu costumava sonhar acordada grande parte do tempo. Assim, acho que essa característica sonhadora me ajudou a desenvolver meus próprios personagens, rs.

EE: Quem inspirou você a começar a pintar? Você teve alguma outra artista mulher como referência?

Shiro: Lady Pink e todas as outras pessoas que estavam no filme “Wild Style” me inspiraram. Quando eu vi o filme pela primeira vez no fim dos anos 1990, eu fiquei impressionada. Esse filme me fez vir para Nova Iorque.

EE: O que você pode dizer a respeito da cena do graffiti nos anos 1990 e na atualidade?

Shiro: Eu não via muitas artistas mulheres no graffiti naquela época. Hoje em dia, depende do país… Eu vejo muitas na Europa e no Brasil. Japão e Estados Unidos não mudaram muito talvez…

EE: Além de viver ora no Japão, ora nos Estados Unidos, você trabalha como enfermeira, ajudando as pessoas no fim de suas vidas. Quando e por que você decidiu desempenhar essa atividade?

Shiro: Ser enfermeira era meu sonho desde que eu era uma garotinha. Eu amo meu trabalho enquanto enfermeira, ele me ensina muito a respeito da vida.

EE: A simultaneidade de dois continentes, com culturas diferentes nas quais você esteve imersa no se dia-a-dia mudou sua maneira de ver o mundo? Se sim, como?

Shiro: Sim, mudou. Quando estou no Japão, tenho que me comportar de maneira muito “japonesa” e, quando estou nos Estados Unidos, tenho que ser muito “Americana” rs. Não são apenas os dois países, Japão e Estados Unidos, mas também – por meio de viagens – outros países mudam minha perspectiva a respeito da vida. Cada país (e cada cidade) apresenta diferentes culturas, atmosferas. Eu sinto que preciso respeitar essas culturas. Essa postura faz minha visão e entendimento mais amplos do que se ficasse sempre na mesma circunstância todos os dias. Além disso, diferentes culturas e pessoas me inspiram artisticamente.

EE: Você poderia mandar uma mensagem para as artistas brasileiras inspiradas pelo seu trabalho?

Shiro: Estive no Rio e em Curitiba para o festival “Street of Styles”. Foi minha segunda visita ao Brasil. Eu sempre aprendo muito sobre arte no Brasil, porque as pessoas são muito criativas e usam diferentes técnicas. Eu adoro a paixão dos artistas brasileiros, a energia e a criatividade. Eu realmente fico muito inspirada. Então: continuem arrasando! Estou ansiosa para voltar para o Brasil em breve!

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