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nov 1, 2017

CLUBE DA ESCRITA PARA MULHERES

written by Efêmmera
in category Artigo
Das entrelinhas à notoriedade: a importância de dar visibilidade à produção literária feminina no contexto da arte urbana

Acompanhar a cultura urbana produzida por mulheres pode não ser tarefa fácil ou evidente dentro do contexto urbano. Diferentemente do graffiti, do skate, do teatro e de outras tantas manifestações e movimentos culturais que são presenciados com frequência em diversos locais da cidade, a literatura parece ser encontrada nas entrelinhas. Mesmo que não seja comum encontrar mulheres na rua, declamando poemas ou lendo seus textos, a literatura faz parte de um contexto cultural da cidade e tem que ser observada com mais carinho, pois é também uma importante manifestação cultural, que diz muito sobre a arte urbana produzida por mulheres. Os slams na Roosevelt e diversos saraus que ocorrem em São Paulo são uma prova disso. Por tal razão, o blog da Rede Efêmmera desta semana vai contar um pouco da história de um dos diversos grupos que existem para fomentar a literatura produzida por mulheres: o Clube da Escrita para Mulheres. Além deste artigo, é possível conferir um pouco mais sobre o trabalho do Clube, na Exposição “Essência Efêmmera Exposta” e na Feira Miolos.

“a literatura faz parte de um contexto cultural da cidade e tem que ser observada com mais carinho, pois é também uma importante manifestação cultural, que diz muito sobre a arte urbana produzida por mulheres.”


Existente desde o fim de 2015, o Clube foi fundado por Jarid Arraes. Filha e neta de cordelistas, Jarid viveu a infância em Cariri, no Ceará. Acostumada à cultura popular nordestina, já adulta sentiu falta de histórias que discorressem sobre mulheres, principalmente as negras. Assim, no intuito de dar continuidade à herança familiar e iniciar uma literatura popular que tivesse foco nas minorias, sobretudo nas questões femininas, Jarid começou a escrever cordéis. Em 2014 publicou seu primeiro cordel em São Paulo e, no fim do ano seguinte, com o objetivo de unir e abrir espaços seguros de compartilhamento para mulheres escritoras – e mesmo outras, que tinham o interesse pela escrita, mas ainda não se dedicavam a tal prática – criou o Clube da Escrita para Mulheres.

“no intuito de dar continuidade à herança familiar e iniciar uma literatura popular que tivesse foco nas minorias, sobretudo nas questões femininas, Jarid começou a escrever cordéis.”

Nas reuniões do grupo, as interessadas podiam compartilhar seus textos e trocar ideias a respeito de como melhorá-los, caso se sentissem à vontade. Os encontros periódicos propunham também exercícios de prática da escrita – como a introdução de diferentes formas de expressão (carta, poesia, narrativa) e diversos temas. O propósito das reuniões era, além da troca íntima e respeitosa entre mulheres amantes da literatura, uma forma de criação de rotina para a escrita.

“O propósito das reuniões era, além da troca íntima e respeitosa entre mulheres amantes da literatura, uma forma de criação de rotina para a escrita.”

 

Hoje em dia, além dos encontros periódicos, as frequentadoras mais assíduas decidiram criar um coletivo, de modo a expandir as ações do Clube da Escrita para Mulheres. Foram criados canais de comunicação e divulgação do grupo, como a fanpage oficial e um site, além da implementação de oficinas de escrita e a futura participação na Feira Miolos (que ocorre dia 11 de novembro na Biblioteca Mário de Andrade), que contará com dois zines do Clube: um produzido pelo grupo, com textos retirados dos encontros entre as escritoras; outro realizado em parceria com à Rede Efêmmera, que une poesias e ilustrações referentes à exposição.

Por isso, não deixe de prestigiar o trabalho do Clube na exposição “Essência Efêmmera Exposta”, que ocorre até 10 de dezembro no Arteria Ponta Ponta, na Rua Olga Abujamra, nº 78, na Vila Mariana. Em parceria com as Efêmmeras, as escritoras criaram poesias com o tema da essência feminina e da arte urbana, que dialogam com as artes expostas. Uma oportunidade mais que bem vinda unir mulheres que fazem diferentes tipos de arte e que mostram-se – cada vez menos nas entrelinhas – na cidade.

Mais Clube da Escrita em: http://clubedaescrita.com.br/

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